O Poder Da Pregação

O Poder e a Mensagem do Evangelho (Paul Washer)

Fonte: voltemosaoevangelho.com

“Pois todos pecaram. (Romanos 3.23) Pequei contra ti, contra ti somente. (Salmo 51.4)

Além de uma visão bíblica de Deus, a maior necessidade do homem é uma visão bíblica de si mesmo. Aqui descobrimos um grande contraste entre o pensamento secular e a verdade bíblica. A visão contemporânea é que o homem é basicamente bom e seus maiores problemas decorrem de influências externas nocivas – fatores sociais, políticos, econômicos e educacionais, para citar alguns. Em contraste, as Escrituras ensinam que o homem é uma criatura caída e que a corrupção moral de seu coração é a fonte de todos os seus males.

Ao pregar o evangelho de Jesus Cristo, devemos nos esforçar para comunicar aos nossos ouvintes uma visão bíblica do pecado e do pecador. A exposição das Escrituras no poder do Espírito Santo é a única maneira de realizar tal esforço. O trabalho é difícil e muitas vezes mal compreendido, mas é tão necessário como arar o campo antes da semeadura das sementes. É nossa tarefa falar sobre o assunto que a maioria dos homens prefere esquecer. Nosso trabalho é incomum, porque o grau de convicção, quebrantamento e arrependimento criado no coração dos nossos ouvintes é a nossa medida de sucesso. É um caminho difícil, mas é o único caminho para a salvação.

Em Romanos 3:23, o termo pecaram é traduzido da palavra grega mais comum para o pecado,hamartáno, que significa errar o alvo, falhar, ou desviar-se do caminho. A palavra hebraica mais comum para pecado é chata, e carrega o mesmo significado. O escritor de juízes comunica a ideia por trás de ambas as palavras quando nos diz que os homens de Benjamin “atiravam com a funda uma pedra num cabelo e não erravam”.[1] O sábio de Provérbios também adverte que “peca [ou,desvia-se do caminho] quem é precipitado”.[2] Do ponto de vista bíblico o alvo que o homem deve mirar e o caminho no qual deve andar são a vontade de Deus. Qualquer pensamento, palavra ou ação que não está em perfeita conformidade com essa norma é pecado. Mesmo o menor desvio traz culpa. Por essa razão, o Catecismo Maior de Westminster define o pecado como “qualquer falta de conformidade com a lei de Deus” (p. 24). É importante notar que a Escritura nunca apresenta “errar o alvo” como um erro inocente ou não intencional. É sempre um ato de desobediência intencional resultante da corrupção moral do homem e da inimizade para com Deus.

Em nosso texto, a acusação de haver pecado foi colocada diante de todos os homens, sem exceção, “pois todos pecaram”. Esse mesmo sentimento ecoa por toda a Escritura. No Antigo Testamento, lemos: “não há homem que não peque”, e “não há justo nenhum vivente”.[3] O sábio e soturno rei Salomão viu através da fina camada da moralidade do homem e declarou: “Não há homem justo sobre a terra que faça o bem e que não peque”.[4] Finalmente, o profeta Isaías vasculhou toda a humanidade e exclamou: “Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho”.[5]

Os escritores do Antigo Testamento foram implacáveis ​​em sua condenação do homem, mas não devemos pensar que os escritores do Novo Testamento possuíam qualquer opinião diferente ou que sua censura foi menos intensa. Em Romanos 3, o apóstolo Paulo amarra uma coleção de citações do Antigo Testamento juntas para demonstrar a universalidade do pecado e as profundezas da depravação humana. É uma das denúncias mais longas e diretas contra a humanidade em toda a Escritura: “Que se conclui? Temos nós qualquer vantagem? Não, de forma nenhuma; pois já temos demonstrado que todos, tanto judeus como gregos, estão debaixo do pecado; como está escrito: Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer.”[6]

Das Escrituras, vemos que o pecado não é um fenômeno raro ou incomum confinado a uma pequena minoria da humanidade, mas seu escopo é universal. Cada membro da raça de Adão se juntou à rebelião que ele começou. Aqueles que negam essa verdade devem negar o testemunho da Escritura, da história humana e de suas próprias reflexões, palavras e ações pecaminosas. O apóstolo João vai mais longe ao ponto de dizer que aqueles que negam a realidade do pecado está fazendo de Deus um mentiroso e provando que não possuem qualquer relacionamento com ele: “Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós. […] Se dissermos que não temos cometido pecado, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós.”[7]

O menor vislumbre da Escritura mostrará que o pecado é o maior mal do homem, no entanto, não pode ser negado por nenhum esforço da imaginação que o pecado é tratado de forma leviana por nossa cultura contemporânea e pelo suposto cristianismo que ela produziu. Por essa razão, devemos ser ainda mais cuidados em seguir o exemplo dos escritores da Bíblia, que trabalharam com intenso esforço para expor o pecado e torná-lo totalmente maligno. Não devemos falar do pecado de forma genérica e inofensiva, que não perturbar nem converte a alma, mas devemos empregar uma linguagem precisa, que define o verdadeiro caráter do pecado e expõe todas as suas manifestações. Nosso objetivo é pintar um quadro do pecado tão horrível nos corações e nas mentes de nossos ouvintes que ele não poderá ser removido exceto pelo sangue do Cordeiro. Para atingir esse objetivo, devemos examinar algumas das características mais comuns e frequentes do pecado.


[1] Juízes 20.16; ênfase adicionada.

[2] Provérbios 19.2; ênfase adicionada

[3] 1 Reis 8.46; Salmo 143.2

[4] Eclesiastes 7.20

[5] Isaías 53.6

[6] Romanos 3.9-12

[7] 1 João 1.8, 10

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